Roda América


Um tanto assim

Menina, preste atenção.
O que vês em tua mão
Nada mais é do que tua mão.
Esta sombra que projetas,
De animais e objetos
Não é mais do que tua mão
Imitando o que não é.

Menina, escute bem.
Se alguém lhe perguntar,
O tamanho do universo
Não responda “um tanto assim”
Com os braços bem abertos.
O infinito não tem fim,
Mas menina, teu braço sim.

Ai menina, se soubesses
Que em tua mão não cabe o mundo,
Não serias tão feliz,
Não farias o que eu fiz.
Não verias que teu sonho
É do tamanho do universo
E mais além de teu nariz.

Mas menina, pensando bem,
Se há alguém que necessita
Ser feliz e ir além,
Seria eu e não tu,
E agora sei quem ensina quem.

Menina, te faço um pedido
de apenas brincar contigo,
pra que as coisas feitas por mim
Sejam gigantes “um tanto assim”.

 

Feito para Rodrigo Pinto. Lembre daqueles tempos, meu velho)

 



Escrito por Ricardo Martins às 18h18
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Saco do céu

Ilha Grande, Rio de janeiro.

Em meio a uma estonteante lua cheia, agarro meu saco de dormir para passar a noite no píer de uma praia chamada “Saco do céu”, que não por nada tem este nome. Neste lugar isolado, o mar chega sorrateiramente através de um pequeno espaço entre o vão de Ilha Grande. Quando a noite cai, o céu se espelha tão claramente nas águas que o mar fica como uma bolsa de estrelas, ou um saco do céu.

Deito-me no píer e espreguiço longamente dos pés à cabeça, vendo minhas mãos refletidas no mar pela luz azulada da lua. Assim, distraído com o mundo que parece brincar comigo, fecho os olhos lentamente até dormir.

Acordo no meio da madrugada, com a torpeza de sentidos de quem desperta, distinguindo com dificuldade as imagens que rodeiam meus olhos. Deitado com a orelha apoiada na úmida madeira do píer, olho para um lado e vejo um céu estrelado, olho para o outro e vejo o mesmo. O mar negro reflete tão precisamente as estrelas, que mal sei o que é céu e o que é mar. Tentando me organizar em meio a essa confusão de sentidos, deito-me com a barriga para cima e fito o que finalmente descubro ser o céu.

Levanto-me totalmente, sentindo a brisa fresca do mar massageando meu corpo e brincando com meus cabelos. Sem pensar muito, tiro toda a roupa, estendo longamente os braços e me jogo no mar profundo, como quem inverte a gravidade e se atira no céu estrelado. Fico um certo tempo embaixo d’água, admirando as bolhas de minha respiração que sobem azuladas até explodir na superfície. Ao submergir, olho em todas as direções, do mar ao céu, e tudo o que vejo são estrelas.

Com as mãos em concha, junto um pouco de água e deixo uma única estrela refletindo naquele pedacinho.  Com as palmas levantadas, vejo uma estrela em minhas próprias mãos, escorrendo pelos dedos.

Em minha boca sinto um gosto salgado, não sei se de mar ou de lágrimas. Tanto faz.



Escrito por Ricardo Martins às 10h05
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