Roda América


Cirurgias no joelho

Enquanto estava na cama do hospital, como nos velhos tempos de Bolívia, comecei a refletir sobre as constantes batalhas perdidas nessa saga épica contra os limites do meu corpo.


Antes pensei que poderia cruzar o mundo sem sequer me arranhar, depois pensei que meu corpo superaria os arranhões, logo as chagas se complicaram até uma internação por salmonela e hepatite que quase me matou,  e dessa escapei até chegar a uma cadeira de rodas até felizmente haver voltado a caminhar. Meu corpo cobrou um justo preço por cada estripulia que me dei ao luxo de fazer para realizar os meus sonhos.


Depois da cadeira de rodas, eu já havia me recuperado o suficiente para pedalar em viagens curtas de no máximo 600 kms, porém  passaram-se alguns meses e as antigas dores voltaram. Após exames exaustivos, veio a inevitável cirurgia no joelho. Após duas operações realizadas, segue o placar geral:

  • Dois parafusos na tíbia, pra correção de uma má angulação genética.
  • Dois parafusos na rótula, pra fixar o ligamento que se lesionou com os anos de bicicleta e a lesão no tae-kwon-do.
  • Menisco lixado para correção de uma calcificação extra que se formou com o tempo, sabe-se lá por que. Não que faltem motivos pro joelho ter desenvolvido essa anomalia.


Depois da traumática cirurgia, veio o começo da recuperação, uma mais.  Imobilizador, muletas, dores que não me deixaram dormir, calmantes, analgésicos, antiinflamatórios e 3 semanas sem poder sair da cama, onde aprendi uma modalidade mais no que se trata de dor: É como o oposto da dor de um beliscão, quando se sente uma dorzinha que parece um leve choque, que te sobressalta. Uma dor óssea é algo para dentro, que não te desperta e sim te encolhe, que não te dá vontade de gritar e sim de sussurrar.

Como parte do meu problema é genético,  uma nova cirurgia me espera em breve para o outro joelho, que não escapou desse mal. Não vejo mais como voltar a pedalar cruzando países, no máximo penso em voltar a ter uma vida normal e poder praticar alguns esportes com moderação. Apesar da meta modesta, ainda não abandonei minha obstinação em ampliá-la, sendo que agora aprendi a respeitar os sinais de debilidade do meu corpo. Já era hora, diga-se de passagem.

Mais do que por minhas pernas, sou movido por desafios, seja ele cruzar o mundo em cima de uma bicicleta ou simplesmente caminhar um metro sem o auxílio de nada. Sim, é uma meta modesta, mas que precisa ser vencida até que passos mais ousados sejam possíveis.



Escrito por Ricardo Martins às 23h45
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