Roda América


Em busca do novo primeiro passo

No meu caso, lesionar o joelho se trata mais de uma batalha psicológica do que física. Mais do que meu corpo, minhas pernas movem meus sonhos, por isso tem sido difícil superar minha temporária incapacidade.

Primeiro foi a cadeira de rodas: Algumas atividdes que antes eram simples passaram a ser impossíveis para mim, tais como colocar o sapato, subir escadas, ou simplesmente ir ao supermercado que fica a duas quadras de onde eu vivo. Além da dificuldade de passar por calçadas esburacadas e demais detalhes antes imperceptíveis para mim, passei a ter um certo medo de sair pra rua e ver como as pessoas supostamente me olhavam. Creio que mais do que como as pessoas me olhavam, a forma depressiva com que eu olhava a mim mesmo era o que de fato tornava as coisas mais difíceis do que de fato deveriam ser. Mesmo que soe patético, confesso que chorei quando olhei pra minha fiel escudeira Capitu e me dei conta de que pela primeira vez eu não poderia acompanhá-la  e desbravar o mundo como antes costumávamos fazer.

No primeiro momento estive bem longe de ser um cara forte, mas aos poucos vou recuperando o joelho e a auto estima. Desculpem por decepcionar mais uma vez aos que me idealizam como um aventureiro destemido, porém cada mais vejo que minha força vem das pessoas incríveis que tenho ao meu lado quando fraquejo. Nesse caso, preciso agradecer imensamente a todos os argentinos que estiveram constantemente comigo (apesar da sova que o Brasil deu na Argentina nas eliminatórias), e especialmente à sempre citada Daniela, que foi o motivo da minha mudança de planos ao vir pra Buenos Aires e dia após dia faz com que eu veja o quanto fiz a coisa certa. Ela foi minha perna enquanto eu não podia usá-la, minha calma nos momentos de depressão e um abraço forte quando perdia as esperanças. Enquanto escrevo essa parte do texto, noto uma lágrima furtiva que me cai ao lembrar dessas pessoas, e mais uma vez até nessa parte difícil percebo o quanto essa viagem é importante para mim.

Enfim, momentos “mela cueca” à parte, pouco a pouco vou me recuperando. Tenho boas chances de por milagre escapar da opecação, estou com um imobilizador no joelho, evoluí da cadeira de rodas para as muletas e lentamente vou recuperando os movimentos básicos da perna. Se tudo correr bem, tenho programado tirar o imobilizador em 30 dias, fazer fisioterapia por uns 2 meses e seguri com exercícios graduais até reaprender a andar, correr e finalmente pedalar. Tinha o único plano de aprender o que fosse necessário pra viver bem e ser uma pessoa melhor, mesmo que isso signifique simplesmente reaprender a andar. 

Lembro agora de tudo o que tive que enfrentar quando essa viagem era ainda apenas um sonho distante. Lembro que o difícil não foi imaginar os apuros que viriam, mas sim dar o primeiro passo ao deixar toda a minha vida para trás e construir uma nova. Agora só preciso me preparar para um novo primeiro passo, neste caso no sentido literal da palavra mas felizmente igual aos muitos outros que viráo pelo caminho.

 



Escrito por Ricardo Martins às 04h59
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
 
Meu perfil





BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, Homem, de 20 a 25 anos, Spanish, English, Esportes, Viagens, Bicicleta
MSN - rmartinsb@hotmail.com



Doações

Amigos,
Para fazer doações, coloco abaixo os dados de minha conta.

Conta poupanca
Banco: Bradesco
Agência: 1791-4
Conta: 0028823-3
Nome completo: Ricardo Martins Batista
CPF: 09963135757

Histórico


Votação
Dê uma nota para
meu blog