Roda América


Punta del Leste à venda

 

De longe pela estrada eu via luxuosos prédios que cortavam o meu até então inabitado céu azul, indicando-me que se aproximava a tão falada cidade de Punta del Leste. Normalmente a altura dos prédios de uma cidade é inversamente proporcional ao tamanho da amabilidade alheia. Enfim, poderia ser somente um preconceito, mas não.

Na entrada da cidade, entre os muitos outdoors havia o de uma imobiliária que dizia “Punta del Leste à venda”. Isso para mim sintetizou o que vi em cada canto, onde cada centímetro é vendido a quem possa pagar bem por ele. Definitivamente nem a beleza nem a amabilidade eram coisas gratuitas, e muitos menos eu podia ou queria pagar por isso. Vi praias em que as pessoas mais se exibiam do que se banhavam, mais ostentavam do que desfrutavam, ou o pior é que desfrutavam enquanto ostentavam. Uma pena ver uma cidade tão linda, palco de discursos de líderes que mudaram minha forma de pensar sobre o mundo, hoje simplesmente rebaixada a um lugar superficial qualquer.

A noite caiu e fui buscar um lugar pra acampar, porém descobri que as empresas de camping pressionaram para proibir o camping nas florestas para não interferir no lucro deles (cada centímetro à venda, lembram?), isso sem contar com a repressão policial, que é paga com dinheiro do contribuinte para reprimir quem atua contra o ganho de apenas um dono de camping, que por estranha coincidência é deputado local. Passei por campos pobres onde o uruguaio tem para comer basicamente o que planta, e pedalei pensando no que faltava para dar assistência a essa gente. Faltar, não falta nada, mas Punta del Leste me mostrou o que precisa ser dividido.

Em tempos cuja força de um político na mídia se mede basicamente pelo que é feito aos pobres, vejo que os maiores cânceres sociais são provocados curiosamente pelo que é feito aos ricos. Entre o “pão e circo” destinado aos pobres e o progresso excludente destinado aos ricos, me pergunto o que é mais corrosivo para uma sociedade e por qual dos dois eu deveria optar...

Não quero nem um nem outro. Aliás, quem foi que disse que preciso querer alguma dessas opções? Entre um tiro na mão ou no pé, ainda creio que posso optar simplesmente por não tomar o tal tiro.

 



Escrito por Ricardo Martins às 01h58
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